sexta-feira, 11 de março de 2011

Velhos-Novos tempos do Fundamentalismo Religioso

A história de milênios e milênios é absoluta quanto ao objeto principal da existência das sociedades: a religião. Ela sempre foi uma arma poderosa de dominação, ainda que isso sempre tenha parecido pequeno frente ao principal objetivo dos que recorrem a igrejas, congregações, templos, mesquitas, etc – o chamamento ou prestação ao divino.

Particularmente não gosto de discutir sobre esse tema, tenho minha convicção formada e, no mais, existe a convicção fruto da cultura geral e, em proporção menor, a individual (ainda que esse conceito seja resumido a Adão e Eva, morte e ressureição de Jesus, os Dez Mandamentos, e daí afora), é como se Golias fosse reduzido a um átomo. Sempre tive por princípio não fazer parte de um time sem saber suas reais intenções, pois adoto a premissa de Nietzsche: Não posso acreditar num Deus que quer ser louvado o tempo todo.

Fundamentalismo religioso nada mais é que utilizar interpretações bíblicas avulsas e usá-las como ferramenta de, na maioria das vezes, dominação. O vídeo abaixo mostra uma espécie de seita conduzida por um pastor evangélico. Esse é um exemplo de uma verdadeira alienação com fins muito questionáveis (fundada nos dogmas dessa seita e pregando tais preceitos com violência), sendo esses o desrespeito com outras religiões (8:57 e o segundo video), a intolerância com as distintas composições sociais (1:07), e algo que me surpreendeu, a hostilidade frente a nossa Constituição (5:00) (11:06). Em outro vídeo desse mesmo canal pode ser visto o “pastor” com uma camiseta que possui a frase "Bíblia sim, constituição não".



Quanto à atitude do pastor, vejo muita hipocrisia (pois diz ser vítima de perseguição por estar apenas exercendo seu direito de liberdade de expressão e de liberdade religiosa - Curioso que esses dois direitos são garantidos pela constituição que ele não aceita) e uma ignorância fracamente justificada.

Eu questiono que benefícios isso traz a sociedade, onde está o espírito de amar ou, no mínimo, respeitar seus semelhantes, o que as atitudes extremadas que os seguidores podem tomar representa diante de Deus? Vejo apenas pessoas sendo treinadas a serem nocivas, a perder o domínio do dom da inteligência, e padecerem no conformismo frente ao que Deus reservou em suas vidas.

Isso vale pra demais “seitas”. Respeito demais líderes religiosos que, muitas vezes, utilizam-se do ponto fraco dos pobres para fazer furtuna (pois isso é, infelizmente, comercial e lucrativo), apenas tenho pena da mentalidade que tem nosso povo, mas muito não pode ser feito numa questão que vêm sem solução há séculos. Também não posso negar que há líderes de bem, como já pude presenciar.

Quanto aos seguidores, acredito que não é necessário o "Tratamento Ludovico", e uma batalha para libertá-los seria idêntica à eterna batalha entre a ciência e a religião.

Cada um tem sua verdade sobre o mundo, mas é de bom senso que não ultrapasse a barreira do respeito.

domingo, 6 de março de 2011

Versos, problema e lenda


Narrativa indiana
 
São essas três inscrições encontradas na cela de um homem hindu, no meio de figuras disparatadas, palavras sem sentidos, dentro de uma organização incompreensível:

I - Versos de consolo aos aflitos

“A felicidade é difícil porque somos muito difíceis em matéria de felicidade. Não fales da tua felicidade a alguém menos feliz do que tu. Quando não se tem o que se ama é preciso amar o que se tem.”


II - Um problema existe apenas quando dele se é leigo

É possível colocar 10 soldados em 5 filas, sendo que cada fila deve ser composta por 4 soldados? Sim, como inscrito pelo prisioneiro, desde que cada soldado figure em duas filas, como pode ser visto na figura abaixo:



III - Advertência ao poderoso


Confúcio quando questionado quantas vezes deve um juiz pensar antes de sentenciar: somente uma vez hoje, porém dez vezes amanhã. A primeira será suficiente, quando o juiz, após exame, decidir pelo perdão. A segunda, porém, deverá o magistrado pensar, sempre que se sentir enviesado a lavrar sentença condenatória.

IV - Conclusão

Se existe uma relação entre tais inscrições - ainda que dado outro sentido quando escrito pelo prisioneiro hindu – podemos reduzi-las nas palavras do mesmo mestre Confúcio:

“Erra, por certo, gravemente aquele que hesita em perdoar; erra, entretanto, muito mais ainda aos olhos de Deus, aquele que condena sem hesitar.”

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Cry Me a River

Cry Me a River, apesar de pouco comercial, conquistou amantes do cinema e é símbolo do Blues que surgia na década de 50 nos EUA. Ela já foi diversas vezes regravadas por cantores dos mais diversos segmentos, e abaixo posto, além da original por Julie London, alguns dos covers, que podem até ser chamados de releituras. "Well you can cry me a river, cry me a river".


Julie London 


Diana Krall


Barbra Stresand


Davy Graham


Rita Lee


Aerosmith


Susan Boyle


Caetano Veloso


Björk (demo)


Shirley Bassey


Norah Jones


Marisa Monte

Maná (versão em espanhol)


Cryin' an ocean o.o

domingo, 12 de dezembro de 2010

O mundo simbólico de Temple Grandin

Temple Grandin ficou conhecida pelo documentário “made for tv” homônimo, que rendeu ao título várias indicações e prêmios, tratando sobre a história real de uma autista que criou um dos métodos mais usados na atualidade para controle de gado. O que chama a atenção no documentário é até onde uma limitação pode ser estendida, pois no seu caso, apesar das crises psicológicas, sobretudo as de isolamento, não a impediu de virar PHD em Ciência Animal.



O documentário pode ser visto como mais um dos que chamam as pessoas à reflexão, afora isso, há outro ponto não muito explorado no filme. Esse ponto está em como o psicológico de Temple, apesar de “incomum”, foi capaz de trazê-la aonde poucos chegaram. O modo como seu psicológico trabalha estrutura-se basicamente no mundo simbólico, ou em poucas palavras, no mundo que não é real e impreciso. A lista abaixo mostra como era o seu mundo que, em partes, não é diferente daquele construído por outra pessoa:

-Atitudes calculadas: Temple demorou a desenvolver a fala e a interpretar estímulos físicos, em compensação, sua incapacidade de abstração permitiu movimentos muito calculados, como exemplo, ela precisou de poucas aulas para andar a cavalo e até mesmo dirigir;

-Atitudes extremadas: essa característica completa a anterior. Em uma de suas crises (estas que pioraram quando ela chegou à faculdade), ela se fecha numa engenhoca que chamou como “máquina do abraço”, semelhante àquela que prende o gado para que ele se acalme. Para menos, Temple conseguia ser fria e calma em momentos que normalmente tem-se irriquietantes;

-Dificuldade para lidar com sentimento: pode parecer estranho, pois, no mundo simbólico, os sentimentos dominam praticamente toda a realidade. No mundo simbólico e tão “matemático” de Temple, pessoas e animais eram seres idênticos, o que a tira da realidade e a tornou um tanto violenta;

-Concretismo: como afirmei sua mente é matemática, melhor dizendo, ela une diferentes fatos com algo em comum e os solidifica. No documentário, a partir do sofrimento que ela percebe nos animais pelo tratamento que recebem, somado as características biológicas dos bovinos, as reações de humanos frente a estímulos instintivos, as reações dos próprios animais até numa simples aplicação de vacina, ela construiu uma espécie de curral de curvas (imagem abaixo), que diminuiu o stress dos animais que estão a caminho do abatimento. Ainda, desenvolveu uma série de projetos para provar que sua “máquina do abraço” não era de caráter individual e seria eficaz a outros autistas;



-Falta de dimensionamento: Temple era exageradamente obcecada sobre assuntos que outros acreditavam de pouca relevância, e de certa forma, o contexto da história levava a essa conclusão. Por causa dessa obsessão, Temple foi capaz de fingir ser outra pessoa, fingir ser homem e até mesmo repetir um curso para poder discutir suas teorias. Isso pode ter sido um diferencial para ela, mas a prejudicou quanto aos seus relacionamentos familiares.

Essas características podem ser condicionadas por qualquer outra pessoa, mas era a natureza de Temple e isso torna interessante para medimos o grau de simbolismo que uma pessoa “normal” desenvolve. Simbolizamos coisas invisíveis, como a dor, o medo, as emoções em geral, e isso é um privilégio aos humanos, um fator que permitiu a atual convivência. Somos capazes de enxergar os limites entre o real e o imaginário, porém passam pelo imaginário as conquistas individuais, as realizações no curso de uma vida.

Em conclusão, esse nexo é tão necessário que influencia em determinadas culturas, e dentro dos blocos culturais sempre é desenvolvida uma ideologia, seja qual for, seja ética ou não. Ainda, somos alta e sensivelmente influenciáveis, assim sendo, desde que razoavelmente manifestados no mundo real, a arte de simbolizar pode modificar vidas, grupos, sociedades, tudo aquilo que seja humano, extrapolando os limites biológicos e até físicos.

Ligação: http://www.templegrandin.com/

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Aos fiéis ensaios noturnos

Até 1996, eu não via problemas em ficar acordado até às duas da manhã do domingo pra segunda, até porque nessa época eu só sabia o que era cedo e tarde. Até hoje, quando não consigo dormir, não conto carneirinhos ou coisa parecida (é o cúmulo ter que me preocupar em não perder a conta), faço o mesmo que fazia naquela época: ouço.

Nessa mesma época eu me preocupava com cinco questões: por que tenho que dormir cedo se ainda tem gente acordada lá fora? Será que estão fugindo da polícia todos esses carros que passam correndo? Será que o pessoal acorda amanhã nesse horário pra brincarmos na rua? O que posso fazer pra fugir dessa escuridão até eu chegar ao interruptor? Por que todo dia esse filme sem final passa pela minha cabeça?

Assim como a maioria dos meus sonhos, a noite se encarregava de engolir tais pensamentos sem deixar rastros na manhã seguinte. Com o tempo fui acostumado, ou melhor, condicionado a funcionar com o passar das horas, logo duas da manhã é o horário em que só estão acordadas pessoas que trabalham nesse horário. Mas há alguns espaços de tempo eu pude ouvir novamente... e me perguntar: as pessoas lá fora não têm medo da violência? Será que os motoristas não percebem que já passou das dez? Será que não acordarei ninguém se eu for ver a noite? Por que algumas coisas parecem mais claras na escuridão? Por que todo dia esse filme sem final passa pela minha cabeça?

Desde então eu parei de pensar em coisas boas para ter sonhos, pois não há final feliz em filme que não tenha passado por pesadelos.

"Aos fiéis defuntos"

...e àqueles que, dentre todas as possibilidades, convivem com alguma partida.

sábado, 9 de outubro de 2010

A Lad Insane

"Who'll love Aladdin Sane?"






*O nome original dessa música é "
Aladdin Sane (1913-1938-197?)". Cada ano simboliza o ano-véspera das duas Grandes Guerras. Havia o temor da Terceira Guerra Mundial no início da década de 70.


(David Bowie - Alladin Sane - 1973 - RCA)